Entrevista Jornal A Tarde - Metaverso e privacidade



Concedi uma entrevista ao Jornal A Tarde sobre o Metaverso recém-anunciado pelo Facebook e suas consequências para a privacidade, vida social e democracia. Destaco, abaixo, um dos trechos:


Eles prometem uma internet mais livre, como você falou, mas me parece o inverso. Essa liberdade é uma promessa que deve continuar como promessa?

Totalmente. Por que o Facebook, recentemente, mudou o nome da empresa principal para Meta? Estamos vivendo em um momento em que as pessoas estão tendo mais atenção para o papel social que essas grandes empresas de tecnologia têm no mundo. Se você pensar em transferir toda a nossa vida social para um ambiente virtual, esse ambiente não vai ser aleatório, vai ser um ambiente privado que pertence a megacorporações que têm interesses políticos específicos. E parece que cada vez mais pessoas e Estados têm a noção de que precisamos olhar para isso. Várias democracias do mundo foram ameaçadas nos últimos anos porque a gente não sabe lidar com o funcionamento dessas plataformas. Tem alguns autores que usam a expressão “Colonialismo de Dados” para se referir a forma como essas plataformas colonizam a vida social das pessoas. Até determinado momento, as pessoas se relacionavam de uma maneira. Agora, é através do Facebook. Você tinha uma forma de relacionamento e a rede chega e desapropria isso: “Agora é através de mim, porque eu preciso capitalizar em cima dessas relações que produzem dados e me ajudam a vender propaganda”. E me parece que o Metaverso quer expandir esse processo, você vai precisar estar inserido o tempo todo. Você vai a shows, a museus, espetáculos… então, veja que tudo está sendo abarcado por esse projeto de Metaverso. Se você parar para pensar, esse é o golpe perfeito, porque você está anexando a vida das pessoas quase que totalmente às plataformas. O potencial disso para a produção de big data, de inteligência de dados e capitalização é assustadora.